Ao Mestre Fabiano, com louvores!

1 Dezembro, 2006 7:090 comentários
Foto: Arquivo Folha de Batalha

Foto: Arquivo Folha de Batalha

A Academia de Letras do Vale do Longá decidiu, em reunião de seus acadêmicos, aumentar o número de cadeiras daquele sodalício e prestigiar figuras de importante relevância no mundo cultural da região de sua atuação. Isso é louvável! Através da coluna da ALVAL, tomei conhecimento da homenagem a Manuel da Costa Lima, músico batalhense da melhor estirpe e um dos maiorais da cultura tupiniquim.

Seu Fabiano, como era conhecido, notabilizou – se por sua simplicidade, humildade, mas de uma riqueza espiritual das mais belas e merecedora de nossos encômios. Analfabeto, por não ter frequentado escolas, mas de uma sabedoria infinita, destacou – se desde muito cedo por sua inteligência musical. Foi um eximio saxofonista.

Sua produção musical inspirou gerações. Inspirou e animou milhares de jovens por esse mundão afora. De tantas, voltemo – nos à valsa Momentos felizes. Melodiosamente linda! Ternamente clama e mansa! Ouvi, do próprio Fabiano, ainda em vida, que a mesma fora composta em meados de 1918, numa viagem que empreendera no lombo de um jumento, de volta a Batalha, depois de um animado e concorrido baile que tocara na Piracuruca de Nossa Senhora do Carmo. Cansado, parou para descansar, quando o sopro de sua aguçada e audaciosa inspiração, lhe trouxe à tona a valsa que se tornaria, em pouco tempo, um lenitivo para os ouvidos mais exigentes. A ouvi várias vezes, até solfejada pelo autor. Emocionei – me, ouvindo – a em duas oportunidades: a primeira, em Oeiras, por ocasião das comemorações do 24 de janeiro, em 2003, executada pelas senhora octogenárias do grupo Bandolins de Oeiras; e a segunda, dias atrás, com o maravilhoso e querido Paulinho Ferreira, bancário aposentado, executando no acordeon, acompanhado da Carla Ramos ao piano.

De sua lavra, várias outras composições consagradas e tocadas em Bandas de Música. Sua paixão eram instrumentos de sopro, registre – se. Foi ele que ensinou uma geração de bons músicos espalhados por aí. Regeu Bandas em Luzilândia, Barras, Esperantina, Piracuruca, Ubajara. Andou pelo Maranhão, também. Foi bravo em seu mister!

Homenageou diversas personalidades, criando valsas e dobrados. O Coronel Torres de Melo, que comandou a gloriosa PMPI virou nome de dobrado. Seu genro, Simplício, casado com a Tetê, tem a família toda musical. São netos e netas do velho Fafá. Os meninos, ligados à Polícia, ao Exército e à Banda 16 de agosto, da PMT. Lima Neto, filho da querida Maúde passou por todos os instrumentos musicais.

A memória musical de Batalha está resgatada em dois cd´s, Alvorada Batalhense. Com músicas de Fabiano, Quincas e Pantim.

Assim, cabe um agradecimento à Academia de Letras do Vale do Longá, através de sua Presidente, Socorro Carvalho, emérita Professora da UFPI, e irmã do saudos Zé Carvalho, casado com dona Adelaide, e a seus acadêmicos: Gisleno, Francy, Carlos Magno, Reinaldo, Léa, Homero, Herculano, Lizete, Antenor, Bilé, Dilson, Dayse, João, Magno, Geraldo, Melquisedeck, José, Delson, Cléa, Altevir, Tomaz, Frederico, Wilson, Ribamar, Sarah, Pedro, genuíno, enfim, a galeria de imortais que homenagearam Batalha. A Batalha de São Gonçalo, santo padroeiro ao qual Fabiano compôs, na década de 40, e dedicou -lhe um hino, ainda hoje entoado com fervor por nós, seus devotos: ” Quando o inferno conspirado, julgar minha perdição, Glorioso São Gonçalo, vem salvar meu coração! Ao bom povo de Batalha, vossas bênçãos derramai! Glorioso São Gonçalo, a Deus por nós, Rogai!”

Publicado na imprensa piauiense em 08/2004

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