Artigo, Ricardo Kertzman, Opinião Sem Medo – O Congresso não está contra Bolsonaro. Está, isso sim, destruindo de vez o Brasil

28 Março, 2019 14:320 comentários

Se Jair Bolsonaro é ou não liberal, a favor da reforma da previdência, da prisão após condenação em segunda instância, do orçamento participativo ou o escambau, pouco importa — ou deveria importar. O certo é que se elegeu sobre tais plataformas, montou uma equipe de governo que persegue essas premissas e vem apresentando os projetos conforme prometido.

A sinalização do governo é clara: ou reforma-se a previdência ou o país quebra de uma vez; ou aprova-se medidas anti-crime e anti-corrupção ou continuaremos a tombar como moscas. Agora, se o Congresso é contra, por ideologia ou interesse político, ou mesmo por interesse econômico pessoal de cada parlamentar, a culpa não é do presidente.

Falta articulação política? Falta. Faltam lideranças apropriadas? Ô se faltam (já escrevi sobre isso). Bolsonaro é tosco, pouco instruído, etc? Não resta dúvida. Mas qual a diferença dele para seus antecessores Lula e Dilma, por exemplos? Por que os governos petistas aprovavam tudo o que o Executivo propunha? Bem, a moradia atual do ex-presidente e os inquéritos sobre a ex-presidente respondem bem a questão.

Ora, o Congresso não existe para submeter-se ou sobrepor-se ao Poder Executivo.  O Congresso existe para representar a vontade dos eleitores. Se a maioria é contra a Reforma Previdenciária, que seja barrada. Se é contra o combate ao crime e corrupção? Que o projeto do Ministro Moro seja barrado. O que não pode, nem deve, é (o Congresso) contrariar os eleitores apenas por sua discordância com o Executivo.

Derrotar o governo, como dizem por aí, na questão previdenciária, é derrotar o País. No limite, a si próprio. Derrubar o projeto do Sergio Moro é condenar todos os brasileiros — inclusive os próprios parlamentares — ao caos atual na segurança pública. Se Rodrigo Maia, articuladores e demais apoiadores resolveram atrapalhar a vida de Jair Bolsonaro, saibam eles que estão atrapalhando a minha e a sua também, leitor amigo.

Quando Montesquieu (1689-1755) idealizou a tripartição dos poderes, seguramente não imaginou o Brasil do século XX em diante. Não imaginou que mesquinharia, egoísmo, infantilidade, sede de poder, má índole, etc seriam características dominantes dos líderes brasileiros. Não imaginou uma composição executiva, legislativa e judiciária tão esdrúxula e imoral quanto à nossa.

problema atual do Brasil não reside na incapacidade de articulação ou na incompetência de comunicação deste governo, ainda que ambas existam. Mas, sim, numa espécie de cultura legislativa medíocre, fisiológica e corrupta, que acredita ou ser mero esbirro de um Executivo corrupto (como foram de Lula, Dilma e Temer); ou cabide de emprego e politicagem regional (como de FHC); ou simples inimiga mesmo, esquecendo-se de que os mortos e feridos desta guerrinha espúria chamam-se eleitores; chamam-se brasileiros.

E hoje ultrapassam a casa dos duzentos milhões.

Ricardo Kertzman – Blog Opinião Sem Medo

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