• Padre Leonardo Sales

A visita do Governador!

26 Janeiro, 2016 17:066 comments
Foto: Lauro Sousa.

Foto: Lauro Sousa.

A recente visita do Governador do Piauí à Batalha, (15-01-2016) para inauguração de obras e, sem dúvidas também para a consolidação de conchavos políticos para as eleições municipais deste ano, me fez refletir sobre que caminho seguiremos em 2016. Pois, os pretendentes a cargos públicos começam já a se movimentarem, olhando para um lado e piscando para o outro.

As obras inauguradas e os atos do Senhor Governador, soam mais que meras inaugurações e apontam para apoios futuros, na velha tática vergonhosa do toma lá-da-cá. Títulos de terra conferidos, sem nenhuma resposta sobre casos de proprietários de terra que gritam aos céus, como o da missionária Conceição que perdeu seu título de propriedade sem explicações razoáveis; quadra de esporte inaugurada numa Escola; linha de transmissão e distribuição de energia. Acham os meus concidadãos batalhenses que tudo isto é gratuito? Não! Isto tem um preço, o da sua consciência, e do seu voto, para a perpetuação da velha política local, do troca- troca de sobrenomes.

A situação pode ser medida pelas fotos que abundam nas redes sociais, onde a “corte” do Governador aparece sempre ladeada de lideranças locais, em busca de um lugar à luz dos holofotes; para qualquer inteligência medíocre não são presenças gratuitas, nem interessadas no bem comum, mas na manutenção de interesses futuros.

Os descompassos da atual administração municipal cantam um refrão de que é preciso aprender novas lições e fazer diferente. As mudanças não significam apenas substituir nomes, siglas, programas ou até mesmo prioridades. Essas ações já são práticas comuns, com resultados pouco relevantes, diante das necessidades e das oportunidades para saltos mais qualitativos no conjunto de um município que vai perdendo chances importantes para o seu desenvolvimento.

A incompetência e a mediocridade na representação do povo ou no exercício daquilo que de fato nos compete nos diversos serviços e responsabilidades que temos é evidente. Não basta agir só contanto com nossas escolhas e preferências para garantir a nossa comodidade, ou para garantir aquilo que se acha que é o melhor!

Para transformar esses cenários desoladores, não bastam as mudanças em propósitos e hábitos pessoais. A renovação das consciências é minimamente presumível para que seja superado o descaso com que se costuma tratar a vida e as coisas na sociedade batalhense.

Se não houver mudança de conduta, haverá ainda mais o comprometimento do Bem e da Justiça. Os mais pobres e indefesos sempre pagam o preço mais alto. Não diz respeito apenas a funcionamentos comuns e nem mesmo se resolverá com mudanças de nomes ou substituição de legendas partidárias. A crise, quando de caráter antropológico, é algo mais sério e profundo. Exige novos entendimentos e grande investimento na configuração mais consistente do tecido cultural.

Assim, não basta resolver o caos perpetuado na sede dos poderes. Lá estão urgências que precisam de novas e velozes reconfigurações. Mas é necessária uma revolução cultural na sociedade batalhense, a partir de análises, assessorias especializadas, engajamentos mais efetivos e afetivos!

A falta de líderes com lucidez para ajudar na superação das muitas crises é um peso sobre os ombros de todos. Liderar, na contramão de mandos ou manipulações em prol de interesses próprios, partidários e mesquinhos, exige posturas cidadãs, altruísmo, generosidade e clareza sobre as direções a serem tomadas para promover o bem comum.

A carência de líderes autênticos compromete instituições. Não são poucos os segmentos que simplesmente buscam explorar as riquezas e o potencial daquilo que pertence ao povo, sem oferecer a contrapartida necessária à coletividade. Anomalias antropológicas minam a cultura da solidariedade, impedem desdobramentos construtivos e inovadores em benefício de todos.

O que mais se vê é o aumento de conluios e conivências, acordos em favor de interesses abrigados no território da mesquinhez e da indiferença em relação ao bem de todos. Vale analisar o conjunto de ações e os projetos existentes na sociedade batalhense, com atenção especial para a própria cidade, o bairro e a comunidade onde se vive.

Em Batalha, e não só nela, constata-se, com frequência, certo marasmo, a inexistência de projetos arrojados com o propósito de atender às necessidades importantes do povo. Basta para tal a constatação que se asfaltam ruas, em tempos de aquecimento global, mas não se investe um metro em saneamento básico, e em rede de esgoto.

Hoje, quando alguém faz alarde a respeito de um feito ou de uma obra, desconfia-se de que é uma resposta atendida com décadas de atraso. Para que governantes, administradores e profissionais diversos não fiquem ancorados no estreitamento da mediocridade, é necessária inteligência assertiva e sensibilidade nascida da sabedoria.

Da visita do Governador fica a percepção óbvia que muitos se contentam com um volume de afazeres e mesmo obras que são “o feijão com arroz” de cada dia. No entanto, o compromisso social de buscar a inovação e a inventividade, em benefício de todos, é um quadro de carência. A preocupação predominante relaciona-se à acumulação de bens, fortalecida pelo medo de não ter. Por isso, não há coragem para investir. O receio de perder aprisiona líderes políticos, empresariais, culturais, religiosos na mediocridade de ações e na condição de mantenedores do óbvio.

Isso inviabiliza o crescimento e as respostas novas. Se esse aprisionamento é consequência da tensão econômica, política ou de outra ordem qualquer, muito mais se relaciona a uma terrível crise cultural. As correções precisam ser feitas na raiz. Não bastam transformações pontuais sem gerar nova mentalidade.

Nossa querida Batalha tem essências históricas, religiosas e culturais, tradições, experiências, personagens e natureza que merecem, mais do que nunca, um mutirão capitaneado por todos os líderes, orientados por gestos de altruísmo.

Essa união é necessária para que sejam possíveis apoios, ações, valorização e investimentos em projetos capazes de consolidar Batalha no lugar que lhe é próprio no cenário estadual. Há de se criar oportunidades para superar as muitas crises. Isso requer a coragem para viver a dinâmica da “saída”, superando a mera conservação. Eis o caminho para inovar e participar de grandes projetos que se desenham para 2016, se quisermos fugir à mesmice, o que acho difícil, mas tenho esperança!

Pe. Leonardo de Sales.

6 Comments

  • Pe. Leonardo de Sales,parabéns pelo texto e muitos outros que já foram publicados neste tão importante meio de comunicação Folha de Batalha.Realmente, parece que a maioria da população não sabe de seu papel importantíssimo no processo de renovação e participação na democracia em que está inserida.
    É inadimissível ainda,vê em minha cidade Batalha servidores do município tendo seus direitos desrespeitados,como é o caso dos professores que tiveram seus reajustes em 2013 e nunca mais.Os vigias que tiveram suas horas extras cortadas e as escolas à noite fechadas sem o mínimo de segurança e sem estrutura adequada; a(o)s auxiliares que lutam por condições dignas de trabalho;os motoristas que levam alunos e professores em transportes,onde não há cinto de segurança;muitos alunos sendo transportados ainda em carros abertos,como tenho vídeo e tenho prova do que estou falando; os profissionais de saúde que lutam para ser implantado o plano de carreira dos mesmos há anos ;os jovens que estão nas ruas por falta de oportunidade.
    Não posso ficar calado,diante de tanta irregularidade,não estou aqui para culpar ninguém,pois todo aquele que não luta por dias melhores e continua na mesmice é também culpado.Diante de tal crise, vamos tirar o s da CRIsE e “CRIE”,mude,almeje dias melhores,faça valer seu voto, pense no coletivo,sonhe,tenha atitude com a esperança de dias melhores.Hoje e não depois.

  • Quero aqui manifestar a minha admiração ao Padre Leonardo Sales,que mesmo distante tem sempre dedicado o seu olhar aos batalhenses ,através de suas crônicas.Vivemos em um momento que merece muitas reflexões e suas crônicas sempre vem no momento oportuno para o contexto atual em que vivemos.
    Como diz o renomado escritor Paulo Freire :”Na historia se faz o que se pode e não o que se gostaria de fazer.Uma das grandes tarefas políticas que deve observar é a perseguição constante de tornar possível amanhã o impossível de hoje”

  • Profº Jailson Fortes

    Minhas saudações e admiração imensurável Pe Leonardo Sales.
    Realmente,o povo sorrir,se alegra quando aparece um agente político para inaugurar obras em seu meio,mas, ao mesmo tempo esquece da morosidade dessas obras e de muitas outras inacabadas ou que nunca saíram do papel,como exemplo podemos citar a obra inacabada do Colégio Conselheiro Saraiva,a BR que passa por Piripiri-Batalha até o Maranhão,onde cheguei a ver o projeto mas que continua engavetado;a barragem dos Tinguis( Piracuruca-batalha)inacabada,acredito que todas de competência do governo do estado.
    Também não posso deixar de falar do desrespeito com os servidores públicos municipais de Batalha,como já mencionado pelo colega acima: professores sem reajuste salarial, auxiliares,vigias,motoristas,secretária(o)s e profissionais da saúde que trabalham arduamente, reivindicando condições dignas de trabalho,alguns desses sem a implantação do Plano de cargos e carreira tão importante para o servidor.
    Queremos uma resposta positiva dos senhores gestores para os pontos mencionados,pois como diz Roberto Shinyashiki: “Quem quer fazer alguma coisa, encontra um meio. Quem não quer fazer nada, encontra uma desculpa.”
    Portanto,sempre há uma saída para aquele que acredita e procura fazer diferente,mesmo diante das mais diversas dificuldades,acredito que com resiliência podemos nos adaptar e evoluir positivamente frente à qualquer situação que possa surgir,não podemos é ficar parados vendo o tempo passar.

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  • ivoneide alves

    Pe. leonardo a cada manifestaçao sua de preoculpaçao e amor por essa terra, nos faz sentir varios sentimentos, entre eles: o de proteçao q temos alguém de olho nos acontecimentos e vai nos alertar no momento certo, de q somos muito fracos pois o senhor tao distante está preoculpado em como estamos vivendo e tantos aqui de braços cruzados, de esperança q um dia suja entre os q podem fazer alguma coisa alguem q pense no outro, q sinta a dor do outro, q veja q o filho do pobre financeiramente tambem tem sonhos e direito a uma educaçao digna e entre tantos outro sentimentos existe um q é gritante o de gratidao. Obrigado Pe. Leonardo e ñ desista de sua terra.

  • ivoneide alves

    Parabens e obrigado por seu amor e cuidado por nossa terra.

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