Acadêmicos do Curso de História da Uespi em Barras visitam o sítio Tamboril

16 Janeiro, 2017 16:230 comentários

Um grupo de acadêmicos do Bloco II do Curso de História da Universade Estadual do Piauí – UESPI, Campus Rio Marataoan – Barras realizaram no último domingo (15) uma visita ao Sítio Tamboril, conhecido também por moradores da região como as “Pedras do Mandú”, no local se encontra algumas evidências da presença do homem americano, através de pinturas rupestres.

magem (Reprodução): Arquivo Pessoal / Adelina Barbosa

magem (Reprodução): Arquivo Pessoal / Adelina Barbosa

O SÍTIO TAMBORIL

O sítio Tamboril localiza-se a cerca de 1,5 quilômetros do rio Longá, na área rural do município de Barras, norte do estado do Piauí, Brasil, distante 42 quilômetros a Noroeste da sede municipal. Constitui-se de um bloco rochoso de arenito da Formação Cabeças, encravado em meio a uma densa vegetação de cerrado, entremeado por numerosos espécimes de mata de cocais, compondo um exuberante mosaico verdejante, que mantém o clima agradável no sítio e em seu entorno.

160201716114281_1035694059909518_4138936052857518046_n

O perímetro do bloco rochoso mede 25,10 metros e em uma de suas paredes laterais, de onde se sobressai um minúsculo teto, destaca-se uma intrigante, e relativamente profunda, abertura em forma de nicho, integralmente decorada com pinturas rupestres pré-históricas. A cavidade tem abertura voltada para o nordeste e mede 3,20 metros de extensão, tendo 1,15 metros de profundidade. Tanto a parede do fundo da cavidade quanto as laterais estão ornadas com numerosas inscrições rupestres, pintadas em diferentes tonalidades de cor vermelha. As figuras desenhadas representam principalmente grafismos puros, com tendência à geometrização, ocorrendo também muitos carimbos de mãos (deve-se chamar a atenção para o fato de que antes de serem impressos na superfície da rocha, tanto as palmas quanto os dedos das mãos foram delicadamente decorados com diferentes tipos de desenhos, aspecto que confere aos carimbos um grau de estilização raramente encontrado em sítios de arte rupestre do Nordeste do Brasil).

Outro elemento que deve ser enfatizado neste sítio é a recorrência dos motivos rupestres representados, entre os quais podem ser mencionados círculos concêntricos, ziguezagues e outros desenhos geometrizados; zoomorfos, sequências de bastonetes verticais paralelos e, majoritariamente, dezenas de carimbos de mãos.

Além da elevada quantidade e diversidade de inscrições rupestres e da remarcada recorrência dos motivos pintados, destaca-se ainda a frequente sobreposição entre as figuras e os diferentes matizes de cores existentes, aspectos que permitem inferir que a prática de realização de pinturas rupestres neste sítio arqueológico era intensa na pré-história.

O ESTADO DE CONSERVAÇÃO

O sítio Tamboril enfrenta diversos problemas de conservação, tanto de origem natural quanto causados por ação humana. Entre os principais problemas de origem natural podem ser citadas as diversas rachaduras ou trincas na rocha-suporte, inclusive na área com pinturas; escamações da película superficial do arenito sobre a qual as pinturas foram efetuadas (infelizmente as escamas que se soltaram levaram consigo partes de alguns motivos pintados); ninhos e muitas galerias de cupins (algumas passando sobre os grafismos); espessas camadas de depósitos salinos que recobrem as inscrições rupestres; numerosos resíduos de ninhos de vespas sobrepondo as pinturas e já em avançado estado de petrificação.

160201716142688_1035694276576163_6718705783770958781_n

Quanto aos problemas decorrentes de ações humanas, merecem ser mencionados a exploração agrícola nas imediações, fato que já ameaça a preservação da flora do entorno do sítio; a visitação descontrolada ao local, inclusive com uso de rústicas escadas de galhos para acessar as pinturas, embora o sítio fique distante da área urbana e não tenha sido previamente preparado para essa finalidade. Algumas escolas levam turmas numerosas de estudantes para conhecerem as pinturas, sem que haja um guia especializado para acompanhá-los. Depoimentos de moradores das comunidades mais próximas ao sítio arqueológico dão conta de que há alguns anos a quantidade de ninhos de vespas re-cobrindo as pinturas era muito maior e que, para evidenciar os grafismos, algumas pessoas, embo-ra não tivessem conhecimento técnico especializa-do, efetuaram uma limpeza, utilizando detergente caseiro, escova com cerdas resistentes e água em abundância. Ainda não foi possível dimensionar a extensão dos danos causados ao monumento geo-lógico e às pinturas rupestres em decorrência des-ta ação.

SÔNIA MARIA CAMPELO MAGALHÃES é professora epesquisadora da Graduação e do Mestrado em Ar-queologia da UFPI e coordenadora do Núcleo de Antropologia Pré-Histórica, na mesma instituição.

FONTE: Redação Visão Piauí / Francisco Vieira

Deixe um comentário nesta matéria