Primeira-dama faz compra de livros para beneficiar partidário e eleitor

10 Fevereiro, 2017 7:330 comentários 7 views

A Secretaria de Educação do Estado, sob coordenação da senhora primeira-dama do estado, comprou mil exemplares da obra literária piauiense “Guerra do Pau de Colher – Massacre á Sombra da Ditadura Vargas”, do contratado Marcos Oliveira Damasceno – ME; CNPJ: 15.222.831/0001-85, “para atender a demanda das Escolas de Ensino Médio da rede estadual de ensino do Piauí (sic).” Este “sic” é para deixar a crase como está (pode ter sido erro de digitação).

Considerar este livro uma obra digna de ser distribuída nas escolas, assim, sem mais nem menos, sinceramente, primeira-dama, só mesmo a senhora, só mesmo o PT.

CACETEIROS E FANÁTICOS E ASSASSINOS

Os chamados “caceteiros do sertão” viveram no interior do Piauí e da Bahia, na região de São Raimundo Nonato, e eram fanáticos religiosos liderados por um certo “Antonio Lourenço” que se valia do fenômeno da seca para pregar o fim do mundo e aglutinar seguidores.

Com isso, arregimentou um exército de loucos e assassinos, segundo a imprensa da época, que andava pelas fazendas e pequenas propriedades do lugar matando as pessoas a pauladas na cabeça, por isso eram chamados de caceteiros.

No livro, são tratados como religiosos e heróis. Imagine, que história é essa que estão querendo que os estudantes piauienses aprendem!?

RAPAZ GENTIL

A propósito, Marcos Oliveira Damasceno – ME é o mesmo que é filiado ao PT, um rapaz gentil, eleito vice-prefeito de Dom Inocêncio, na chapa de Dona Virgínia, do PP de Ciro Nogueira.

Pelo livro, foram pagos 80 mil reais. Mas, perguntar não ofende, não é mesmo? Por que não outros autores com maior repercussão no meio literário? Ou com nenhuma repercussão?! Claro, nenhum deles é do PT, nenhum deles concorreu em Dom Inocêncio. Evidente, evidente…

DINHEIRO APURADO

Tem futuro este jovem, ainda mais porque o dinheiro apurado com a venda dos livros ele diz investir em projetos de combate à seca no sertão profundo. A seca, infelizmente, persiste, apesar de Marcos Damasceno e seu livro sobre Pau de Colher e a loucura do Beato Lourenço – que muitos insistem dizer não ter sido inspirada em Antonio Conselheiro.

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E O FUTURO DO EDUCANDO?!!

Para considerar este livro digno de ser distribuído nas escolas da rede estadual seria necessário verificar previamente ser uma obra de real interesse para o futuro do educando, tais como:

– Interage o educando com a temática abordada no mencionado livro?
– Os professores de escolas públicas da região costumam abordar a questão de Pau de Colher?
– Alguém (professores, alunos, diretores, o autor, a própria secretária estadual de educação) já ouviu falar no Beato Lourenço antes da aquisição de tal livro?
BEATO LOURENÇO OU BEATO SALU?!!

– Quem é mesmo o Beato Lourenço?!
– Será aproveitado o seu conteúdo de algum modo em concursos vestibulares posteriormente?
– Será o seu conteúdo abordado, de alguma forma, em concursos públicos estaduais, federais, em entrevistas para seleção de empregos em empresas particulares regionais?
– Por que o autor, ao ser beneficiado com tamanha aquisição, não se compromete em fazer palestras regionais, para falar sobre a revolta do Pau de Colher e a idolatria do Beato Lourenço?

LICITAÇÃO DISPENSÁVEL

Outro questionamento por demais importante a ser considerado:

– Por que não houve licitação e se esta inexigência teve algo a ver com a filiação partidária do autor beneficiado?
– Por que o estado tem que comprar, sem licitação, livros de autores do PT em detrimento de autores que não são do PT, cujas obras passam pelo crivo do Conselho Estadual de Cultura, são aprovadas e permanecem, indefinidamente, sem posicionamento da Seduc?

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A FILIAÇÃO AJUDA

Eleito vice-prefeito de Dom Inocêncio, Marcos Oliveira Damasceno é filiado ao PT e talvez por causa disso tenha conseguido a proeza de vender mil exemplares do livro “Pau de Colher – Massacre a Sombra da Ditadura Vargas” para Secretaria de Educação do Estado do Piauí.

Duas coincidências imediatas:

1) a secretária e primeira dama do estado é sua companheira de partido;

2) ele (Marcos, o autor) foi cabo eleitoral da primeira-dama na campanha de 2014 quando ela concorreu para deputada federal (função que não exerce).

“Pau de Colher” (o livro, não o massacre) é uma obra caríssima, está muito acima dos padrões internacionais, custa 80 reais o exemplar, mesmo assim não se exigiu licitação e a Seduc autorizou o pagamento de 80 mil reais ao companheiro Damasceno. Outras revelações vão surgindo. No PT é assim.

Uma outra questão a ser abordada imediatamente:

A senhora primeira-dama se julga acima do bem e do mal e não aceita ser questionada por nada deste mundo por, segundo ela, “fazer um trabalho com os deficientes” e, por agora, “estar fazendo um bel trabalho com a educação”.

Na verdade, é por ser a mulher do governador.

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VAMOS RECOMEÇAR DO PRINCÍPIO

Retomando.

Veja só, além de autor, vice-prefeito eleito, partidário e cabo eleitoral de dona deputada, primeira dama e secretária, ele também é produtor cultural.

Tem futuro, esse garoto! Ocorre que a empresa que ele representa como proprietário individual (onde é empresário, representante comercial, vendedor etc) não tem sede, só existe no papel.

Isso pode até ser legal, mas, convenhamos, é imoral, sobremaneira para alguém que se propõe moralizar o sertão.

Informa-se que, na rua indicada como sede na Receita Federal existe a casa do pai dele, onde ele também mora – mas apenas quando está por lá, exatamente, em Dom Inocêncio, no miolo da seca. Em julho de 2016, ano da eleição, quando concorreu como candidato a vice – e foi eleito com as bênçãos do pt velho de guerra – ele também foi indicado como conselheiro de cultura, cuja indicação é da cota do governo do estado (veja, que ascensão meteórica, só mesmo sendo partidário para acontecer algo assim, benza Deus e ao PT).

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ELEITOR DO FÁBIO NOVO

Antes que o Amigo da Notícia se esqueça, ele também votou em Fábio Novo, o distinto secretário estadual de cultura – e que cultura; cadê a cultura que estava aqui?! – para deputado estadual. É ou não um jovem de futuro?! Houve duas publicações no Diário Oficial do Estado para respaldar sua venda. Isso, em dois dias seguidos.

A propósito, o endereço da empresa em Dom Inocêncio é o seguinte: rua Quipa, S/N, Centro, CEP 64790-000. Tem só mais uma coisinha.

Outro fato digno de nota e que as autoridades do ministério público deveriam ser encarregar é o seguinte:

O pagamento da comercialização foi feito pela CCOM (Coordenadoria de Comunicação do Estado), de acordo com a nota que publico em anexo. Ao ler esta notinha, o coordenador de comunicação deve estar dando boas gargalhadas, como é do seu feitio. Ele sabe que esse tipo de coisa não representa nada.

TUDO ESTÁ NO SEU LUGAR

Realmente a crônica social está fazendo falta no Piauí.

(Toni Rodrigues – Amigodanotícia.com.br)

 

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