A música do Mestre Fabiano alcançou sucesso no nordeste brasileiro, diz Carlos Said

16 Novembro, 2017 17:532 comments 5 views

O Jornal MEIO NORTE publicou hoje um artigo, de autoria do jornalista e professor Carlos Said, sobre o surgimento do mito Manoel Fabiano, a maior referência musical da cidade de Batalha (Pi). Boa leitura!

Mestre Fabiano

A vida de Manoel Fabiano (Batalha, Piauí, 1892-1991), quase uma centúria, foi dedicada à musicalidade (qualidade de música agradável ao ouvido). Compositor (autor de música com destreza para mestria prática), alcançou sucesso no nordeste brasileiro.

Negro de estatura elevada, gestos rápidos engrenados com elegância, conservava sempre espírito lúcido descambando para uma simpatia radiante. Pobre, cor escura que não agradava à sociedade um tanto racista, jamais intimidou-se com as adversidades advindas da sua honesta profissão: músico e invulgar divulgador da poesia popular brasileira. Nunca estudou poética e música. Corajosamente não adquiriu complexos de inferioridade diante de músicos e compositores da sociedade alvejante da época em brancos costumavam mandar e exorbitar.

Apesar de pobre, viveu feliz. Desde a época como tarolista (tambor chato de disciplina militar), aprendeu a tocar o trombone (instrumento musical de metal)e, logo dominou a arte de saxofonista virtuoso. Assim, verdade dita, Mestre Manoel Fabiano transformou o seu viver nos arpejos d’alma santificada. E ao percorrer cidades vizinhas à sua terra de nascença: Barras, Porto, Piracuruca, Livramento (hoje, José de Freitas), Teresina, foi descoberto como integrante da “Lira Brasileira”, célebre banda de música dirigida pelo maestro Luís Fernandes Pereira Filho (comerciante e político na cidade de Barras, Piauí. Em 1916, em Teresina, capital do Piauí, orquestrou números musicais a fim de dar pompas (aparatos suntuosos) à posse do Governador Eurípedes de Aguiar (Eurípedes Clementino de Aguiar: São José dos Matões, Maranhão, 1880 – Teresina, Piauí, 1953).

Em 1918, Mestre Manoel Fabiano ganhou a simpatia dos piauienses ao escrever e converter em música a valsa “Momentos Felizes”. Tarefa aplaudida e obrigatória em festas religiosas e sociais, principalmente nos eventos de maior repercussão entre jovens apaixonados. Sem faltar as festas casamenteiras.

A inteligência de Manoel Fabiano foi reconhecida nas vizinhanças do Piauí. A tal ponto que a sua negritude foi esquecida no Ceará, Maranhão e Bahia. E, ao buscarmos o poeta e musicista Raimundo de Moura Rêgo (São José dos Matões, Maranhão, 1911-Rio de Janeiro, 1988) não será esquecida a declaração concernente ao valor do famoso filho de Batalha: “é o típico defensor da nota tom menor”. Ademais, existem recordações da famosa professora Rosa Pires de Carvalho Correia (Barras, Piauí, 1881 – 1968), exímia no ensino da língua pátria. Em tradicionais episódios literários de fácil erudição (instrução vasta e variada), divulgou constantemente, as músicas do genial Manoel Fabiano.

Tudo na nossa vida tem uma moral (sic). Basta dizer a coisa verdadeira. Então, eis a imortalidade para Manoel Fabiano, filho da brava Batalha, cidade singular do interior piauiense.

 

Ao Mestre Fabiano, com louvores!

 



2 Comments

  • Antoniel mendes

    Orgulho de ver a arte do meu bisavô sendo aplaudida até os dias de hoje.

  • Marcelia de ananias

    Ver essa matéria me deixou muito feliz e me veio um filme é a lembrança do meu bisavô.
    Quando ele me pedia pra cossar a cabeça dele.sou grata por fazer parte dessa família de quereiros ele deixou ensinamentos valiosos prós filho,netos,bisteno.

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