Tio-avô do ex-prefeito Antonio Lages governou Batalha durante 30 anos

15 Dezembro, 2017 16:471 comentário 7 views

ANTONIO PIRES LAGES (tio-avô do ex-prefeito de Batalha Antonio Lages Alves), nasceu em 20.12.1869 na fazenda Esperança, e faleceu em 05.07.1932 em Batalha. Foi Intendente (Prefeito) de Batalha durante 30 anos, até a Revolução de 1930. Fundador da cidade de Batalha, com seu sogro Francisco Borges Alves.

Antônio Pires Lages -Foto dos anos 1920. Acervo Maria do Socorro Lages Gonçalves

Segundo o escritor Edgardo Pires Ferreira (Livro: A Mística do Parentesco), Antonio Pires Lages foi o único prefeito preso em 1930 pelo Interventor do Estado do Piauí, Tenente Landri Salles Gonçalves. Casou-se em 13.01.1894 no lugar denominado “Matinho da Gente”, hoje fazenda Monte Alegre, em Batalha com FRANCISCA MARIA BORGES ALVES (SINHÁ LAGES); de cujo matrimonio nasceram Álvaro Pires Lages, Benedita Pires Lages, Artemisa Pires Lages, Marieta Pires Lages, Julieta Pires Lages, Antonio Pires Lages Filho e Francisca Pires Lages.

Conta o historiador Valfrido Viana (irmão do comerciante Chico Bié), que em 1906 o Padre Firmino Sousa que estava à frente da Igreja Católica de Piracuruca, se transferiu para a Paróquia de Batalha motivado por um conflito entre o sacerdote e o capitão Basílio Alves nomeado pelo Bispo D. Joaquim D ‘Almeida como encarregado das fazendas. O sacerdote logo chegando em Batalha adquiriu a fazenda Velho Barro onde instalou sua residência e cultivo agrícola e criação de gado. O mesmo entrou em conflito com o vitalício administrador dos bens de São Gonçalo, Antonio Pires Lages, figura de poder e respeito, nomeado pelo Bispo entre os homens de família (clãs de políticos e latifundiários). Batalha teve dois administradores que eram legítimos representantes destas categorias: Antonio Pires Lages e Clóvis Mello.

A discórdia criada entre Padre Firmino Sousa e o administrador Antonio Pires Lages marca a primeira década do século XX e teve conotação política e de abusiva de poder, se encerrou quando da morte do sacerdote em outubro de 1915. O administrador Antonio Pires Lages nomeado em 1900 encerrou seu cargo vitalício em 1938 com a sua morte, o mesmo foi responsável pela maior corrupção existente na história da igreja de Batalha, segundo alguns. Padre Firmino Sousa quando assumiu em 1906 tratou de fazer um levantamento dos bens da Igreja local onde constatou desvio de boa parcela do patrimônio do santo entre ouro, terras, móveis entre outros. O sacerdote denunciou o administrador como responsável. O administrador reagindo lançou perseguição ao sacerdote como a acusação de violação do celibato clerical. O bispo D. Joaquim D’ Almeida fez justiça em favor do sacerdote suspendendo o administrador das funções em 1914 mas um ano depois o sacerdote faleceu e Antonio Pires Lages reassume o cargo por mais 23 anos.

Entre as realizações de Antonio Pires Lages destaca-se a reforma da imagem de São Gonçalo em 1907 na Bahia, a demarcação das terras de São Gonçalo em 1910 e em 1920. O político e fazendeiro Clóvis Mello foi nomeado para substituir Antonio Pires Lages em 1938 pela portaria episcopal 32 de 24 de agosto.

Fonte: Livros: A Mística do Parentesco (Edgardo Pires Ferreira) e Pesquisa para a história de Batalha (Valfrido Viana).

 

1 comentários

  • Sergio Luiz da Rocha Melo

    Prefeitos ou Intendentes de Batalha de 1900 até 1930:- O primeiro Prefeito de Batalha foi JOSE FLORINDO DE CASTRO (1855) Na virada do século(1899/1900)administrava Batalha Amaro José Machado e Messias de Andrade Melo; de 1900 a 1904 foram José Florindo de Castro Filho e Jovita de Andrade Melo; De 1905 a 1909 há registro de Messias de Andrade Melo, não aparecendo seu vice; de 1909 a 1912 temos Antonio Pires Lages e Fernando da Silva Castro, onde se repetiu no mandato seguinte até o ano de 1916 (dois mandatos consecutivos); Já de 1916 até 1920 foram Amaro José Machado e José Florindo de Castro Filho; De 1920 a 1924 foram Francisco Borges Alves e José Machado de Castro; de 1924 a 1928, aparece apenas Magno Pires Alves, sem citar vice; De 1929 até 1934 aparece Olegário Arlindo de Castro Bem, depois vem Joaquim Lopes de Miranda, depois vem Joaquim Norberto de Carvalho, seguido por Levy Cervantes Saavedra, até chegar a Clovis Melo já no ano de 1942. Quem me disse isso foi o Miltinho, onde me falou através do seu livro Terra de São Gonçalo – Ensaios sobre a história de Batalha – Ano 1997; Já os Padres foram os seguintes:- de 1896 a 1908 foi Fyrmino Souza; Em 1909 aparece Pe. Clarindo Lopes Ribeiro; Em 1911 aparecem os Padres Henrique Vicente Sombrak e Clarindo Lopes Ribeiro; Em 1916 aparecem Galileu Borges e Christino da Silva Santos; Em 1917 Agostinho do Carmo, em 1918 Joaquim Nonato Gomes, em 1919 Cyrilo Chaves Soares e Joaquim Nonato Gomes; Em 1921 há o registro da visita do Bispo Otaviano; Em 1923 foi João Evangelista Wagner; Em 1925 aparece os Padres Jacinto Castelo Branco e Lindolpho Uchôa; Já no ano de 1928 aparece como Padre em Batalha Francisco Salles Soares e em 1929 novamente Lindolfo Uchôa; Daí aparece já em 1938 com o Padre Raimundo Rolim de Moraes; De oportuno, registro aqui, e segundo ainda Miltinho falou, que em 1896, com o Padre Gervásio, o arquivo da Paróquia foi parcialmente destruído, tendo seus livros em sua maioria queimados.Que em 1861, com o Padre Guimarães, foi registrada a primeira procissão. Há alguns pontos aí que se conflitam; Obs:- Se estes fatos não corresponderem com a verdade, infelizmente não podemos mais perguntar a Miltinho, pois faleceu em 2011, mas seu legado está escrito e eu tenho um exemplar deste livro de sua autoria, que se debruçou por longos 06 anos pesquisando a história política, religiosa, judiciária de Batalha.

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