O Presidente José Amaro Machado – Parte I

10 Novembro, 2006 7:520 comentários

JOSÉ AMARO MACHADO_fb_001Sou fã, incontestável, de José Amaro Machado. Era um homem acima de seu tempo. Casou-se com dona Mathylde Roza da Silva e teve os seguintes filhos: Maria (que faleceu com os pais), Antônio Raymundo Machado (Tóte), Domingos da Silva Machado (que morreu aos trinta anos), Mathylde da Silva Machado; Josephyna da Silva Machado e Anna Francisca.

Foi um cidadão incomum. Um homem que imaginou e trabalhou por uma Batalha mais justa, igualitária. Era irmão do Coronel Antônio Guilherme Machado de Miranda.

De seus descendentes diretos, em Batalha, citamos: Desembargador João Batista Machado; Professora Matilde de Castro Machado; dona Elza Machado, dentre outros. São vertentes da família: bisnetos, sobrinhos…

José Amaro Machado é um batalhense que merece uma página maior na vida de nossos conterrâneos.

Conversava eu com o saudoso Benedito Melo, grande batalhense que morreu perto de comemorar seu primeiro século de idade. Homem firme, de uma vitalidade enorme. Cheio de sabedoria. Casou duas vezes. Conheci sua segunda esposa, Diva Nina. Teve vários filhos. Aliás, vários era o normal, àquela época. Voltando a Benedito Melo. Foi a primeira pessoa a me falar de José Amaro Machado. Dessa conversa, em seu Armazém, na Benjamin Constant, nasceu a idéia das pesquisas que nortearam meus dois exemplares de Terra de São Gonçalo.

José Amaro Machado era filho do Capitão Amaro José Machado e dona Anna Francisca de Miranda. Anna era neta do Coronel José de Miranda e dona Ana Maria de Mesquita. Aliás, no próximo texto versaremos sobre o assassinato de Amaro José Machado (pai).

O Coronel José de Miranda era natural da Freguesia de São João Batista, do Arcebispado de Braga, Portugal. Filho de João de Miranda e Mariana de Almeida. Veio de Portugal a convite de seu tio, o Capitão – mor Antônio Carvalho de Almeida. Casou com dona Ana Maria de Mesquita em 24 de julho de 1778, no Sítio da Batalha. Eram primos em terceiro grau.

O Casamento fora realizado pelo Vigário da Freguesia de Nossa Senhora do Monte do Carmo, João Raimundo de Moraes Rego, diante das testemunhas: Miguel de Carvalho e Theodosio Lopes Duarte.

Anna era filha de Antonio Carvalho e dona Maria Eugênia de Mesquita.

(MIRANDA, Vicente. Três séculos de Caminhada. Teresina-PI: 2001)

Voltando a José Amaro

O ilustre cidadão José Amaro Machado foi Coronel da Guarda Nacional. Juiz de Paz. Tutor dos bens de São Gonçalo; Intendente e Coletor da Mesa Fazendária. Inspetor Literário. Comendador da Ordem da Rosa Imperial. Fundou e presidiu o Partido Conservador da Batalha. Quarto Vice-Presidente da Província do Piauí. Assumiu a Província em 27 de fevereiro de 1872, em virtude da nomeação do então Presidente Manuel do Rego Barros Souza Leão, por ato Imperial para a Província de Santa Catarina.

À essa época, vivia o Piauí uma tremenda crise política. A posse de Amaro aconteceu, justamente, no momento em que os demais estavam impedidos de assumir o comando da Província. A respeito disso, diz o jornal A Imprensa – 29/02/1872 – edição 342: “ Com a posse de Amaro Machado, passou a Província a ter um governo legal, regular e não uzurpado. O sr. Manuel do Rego não pôde mais pretextar que não lhe tivesse vindo a comunicação oficial da sua demissão; deixou, felizmente, o exercício indevido da Presidência da Província em que se achava” E diz mais: “Assumindo a administração da província nas condições em que a deixa o Sr. Manuel do Rego, por causa da sua notável inépcia e subserviência, parece, à primeira vista, milindrosa a posição do Exmo. Sr. Vice-Presidente José Amaro Machado; no entretanto que para S. Excª, refletindo-se um pouco a situação, eh mais favorável possível, uma vez que elle queira governar a Província por si, e somente impelido pelos impulsos de sua consciência e razão”. E continua: “No campo da devastação nada resta a fazer – se para satisfação dos caprichos e ódios dos homens que dominavão a vontade do ex-Presidente Manuel do Rego, e pois o Exm Sr Vice-Presidente não terá necessidade, por certo, de desviar-se dos princípios de moderação para exercer o vandalismo sobre seus patrícios”.

O período da administração de José Amaro foi muito curto. E trágico! Contava-me Benedito Melo, história depois reafirmada por minha tia Teresinha (filha de Adélia e Olegário), e escrita por Jureni Machado Bittencourt em seu livro Apontamentos Históricos de Piracuruca, que vitimado por envenenamento, faleceram José Amaro, sua esposa, dona Mathylde Roza e uma filha de colo, Maria.

O Jornal A Pátria, de 20 de março de 1872, edição 95, conta: “ É com o peito ralado pela mais profunda dor que pegamos na penna para annunciar a Província e ao Paiz a funesta e prematura morte do illustre e honrado piauhyense que dirigia, há pouco, os destinos desta terra, o Sr. Tenente Coronel José Amaro Machado, a qual teve lugar hontem, pelas 9 horas da manhã, em conseqüência de uma febre typhica, adquirida, segundo a opinião do distinto facultativo que o assistio durante a terrível enfermidade, na penosa e incommoda viagem que fez do lugar de sua rezidencia para esta capital, onde a chamado do illustre ex – presidente, Dr. Manoel do Rego, veio empunhar as rédeas da administração da Província, em companhia de sua virtuosa consorte e de umma innocente filhinha, igualmente victimadas do mesmo mal! A infelicidade immensa que acabava de esmagar tão cruelmente a desditosa família do tenente coronel Machado, cremos que dificilmente encontrará exemplos nos annaes do gênero humano, a não ser a que ferio a Família Real Portuguêza a cerca de 11 annos. Três cadaveres em mennos de oito dias. Fatalidade! Quem há ahi que não sinta os olhos arrasarem – se de lágrimas ao ouvir a história dessa infeliz esposa e infelicíssima mãe, vergada sobre o tummulo pelo gélido sopro da morte, ainda na flor dos annos e deixando neste mundo de privações seis innocentes filhinhos um dos quais à falta do doce e vivificador calor do seio maternal, logo se lhe foi reunir sob a fria louza do sepulchro? Qual é o coração, mesmo o mais empedernido, que não se confranja de dor diante do infortúnio espantoso, sem nome, desse esposo e pai desgraçado, envolto no sudário da morte, moço ainda e cheio de vida, com o peito traspassado pela dor infinita da perda prematura da filhinha querida e da consorte idolatrada? Finalmente, quem há ahi que não se commova athe o mais intimo d’alma ouvindo os soluços dilacerantes desses cinco órphãos de pai e mãe que ahi ficam desamparados, chorando a triste e funesta morte d’aqueles que supunham, destinados pela Providência Divina para guiar – lhes os passos, ainda incertos no escabroso caminho da vida? Ninguém; salvo se algum homem há a quem a natureza madrasta deu, em vez de humanos, os instinctos selvagens da fera!…/…/ Nobre e inestimável recompensa que tiveram neste mundo suas virtudes cívicas, suas bellas qualidades e seu nobre caracter. Hoje, que tudo acabou – se para tão distincto cidadão e tão respeitável pai de família, só nos resta a nós, que ficamos pranteando a sua perda irreparável, fazer votos ao Altíssimo pelo seu descanço eterno e de sua virtuosa esposa, e procurar no seio da religião a resignação que o martir de Gólgotha ensinou para as maguas profundas e dores cruciantes. Réquiem eternum donna eis. Dominne est lux perpetua luceata eis”

Após a morte de José Amaro, seus filhos, ficaram sob a tutela do Coronel José Florindo de Castro, que foi o primeiro governante de Batalha e era casado com uma irmã de dona Mathylde Roza, portanto, cunhado de José Amaro e tio das crianças órfãs.

Por Milton Filho

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